A Sucessão de Gestões Tapa Buraco em Curitiba

February 23, 2018

 

A Prefeitura de Curitiba comemorou, no final do ano passado, a formalização de convênio com o Governo do Estado que prevê repasse de R$ 30 milhões para reciclagem do asfalto de 34,5 quilômetros de 61 ruas da capital, destacando a aprovação do Plano de Recuperação de Curitiba na Câmara de Vereadores que permitiu a obtenção do recurso. A Prefeitura divulgou também que já negocia com o Governo do Paraná a formalização de outro convênio, de R$ 35 milhões, para obras de fresagem do asfalto de diversas ruas.[1]

 

Há anos algumas vias do Centro e Centro Cívico de Curitiba dão sinais de desgaste, em especial as que contam com a circulação de ônibus. Porém, ao se afastar da área central e dos bairros nobres da capital paranaense, uma realidade bem mais precária se revela. Os bairros mais afastados estão com sérias dificuldades.

 

A conhecida “Vila Oficinas”, subdivisão do bairro do Cajuru, cujo nome advêm da “vila dos trabalhadores da RFFSA” - onde até hoje fica localizada uma garagem/oficina de conhecida empresa ferroviária [2] - possui como principais vias de acesso ao Bairro as ruas: Luiz França, Vicente de Carvalho, Rua dos Ferroviários, Engenheiro Costa Barros, e rua Antônio Meireles Sobrinho.[3]

 

Quando a Prefeitura de Curitiba se manifesta sobre reasfaltar as ruas dos bairros, os moradores já sabem que serão reasfaltadas apenas estas principais vias de acesso.

 

Enquanto isto, as vias transversais acumulam retalhos de asfaltos que mais parecem pequenas cordilheiras de calombos, originados de seguidas aplicações de “tapa buracos”.

 

A sucessão de “tapa buracos” aplicadas é tamanha em algumas ruas, como a da imagem ao lado, que o desgaste destes permite se identificar advirem de diferentes gestões. Moradores da região chegam a brincar sobre o assunto: “aqui tem tapa buraco do japonês, do Beto, do médico, se bobear tem até do primeiro mandato do atual Prefeito”.

 

A situação se repete também em outros bairros, como no Pilarzinho, Bairro Alto, Boa Vista, Santa Candida, além das subdivisões que compõe o Cajuru e de diversos bairros da capital.

 

O jornal Bem Paraná chegou a destacar, em 2011, o alerta improvisado de moradores da Cidade Industrial de Curitiba que estavam colocando cabos de vassouras nos buracos para sinalizá-los.[4] Na época os moradores relataram que os buracos eram cobertos com piche e pedra, mas não resistiam à primeira chuva.

 

A notícia do repasse de R$ 30 milhões do Governo do Estado para reciclagem do asfalto da capital e de já estarem negociando R$ 35 milhões, para obras de fresagem do asfalto, obviamente é uma notícia boa.

 

Porém, os moradores dos bairros esperam encarecidamente que haja uma aplicação mais homogênea e eficiente de tais recursos e não restrita as grandes vias de acesso, como vêm se repetindo há anos.

 

Contamos com a fiscalização dos Vereadores para que os recursos obtidos pela Prefeitura sejam aplicados de maneira equânime, abrangendo os bairros e as vias transversais de forma capilar e não somente as vias maiores.

 

A Prefeitura deve primar por políticas públicas de longo prazo, obras duradouras, gestão sustentável e não somente buscar soluções e obras imediatistas, ou seja, a atuação da Administração Pública não pode ser para tão somente “tapar buracos”.   

 

 

 

[2] Disponível em: <http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/greca-e-richa-assinam-convenio-para-recape-de-61-ruas-nas-dez-regionais/42945>

[3]Disponível em: <http://www.curitibaantiga.com/fotos-antigas/332/Terminal-Vila-Oficinas-do-bairro-do-Cajuru.html>

[4]Disponível em: <http://www.curitibaantiga.com/fotos-antigas/332/Terminal-Vila-Oficinas-do-bairro-do-Cajuru.html>

[5] Disponível em: <http://www.bemparana.com.br/noticia/171883/buracos-nas-ruas-viram-problema-em-todos-os-bairros-de-curitiba>

 

 

 

 

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

RECENT POST

April 8, 2019

Please reload

  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon